O que é este livro, afinal
Invisible é Paul Auster no seu estado mais inquietante. A história começa em 1967, Nova Iorque, com um jovem estudante de poesia que conhece um casal misterioso. Parece simples. Não é. O livro parte-se em fragmentos de tempo e ponto de vista, e Auster usa essa estrutura para te fazer questionar o que é memória, culpa, desejo. Lembro-me de o começar numa tarde de domingo a pensar que acabava antes do jantar. Não acabei. Fiquei presa.
Para quem é (e para quem não é)
Sinceramente, este não é livro para toda a gente, e prefiro ser direta. Se gostas de narrativas lineares, personagens simpáticas e finais que fecham bem as portas, Invisible vai frustrar-te. Auster não tem essa gentileza. Para mim, é precisamente aí que está o interesse: ele escreve sobre pessoas que mentem a si próprias, e faz isso com uma frieza que desconforta.
Se já leste A Trilogia de Nova Iorque ou O Palácio da Lua e gostaste, este vai ao mesmo lugar. Talvez mais fundo.
O preço e a edição
A 15,15 euros, a edição da Nube de Tinta é cuidada. O texto está em espanhol, atenção, por isso se preferires ler em português ou inglês, vale a pena confirmar antes de comprar. A tradução que conheço é competente, não estraga o estilo seco e contido do original. Para um Auster, acredita, isso importa muito.